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Envelhecer com dignidade – A importância do combate à violência contra a pessoa idosa

Envelhecer com dignidade – A importância do combate à violência contra a pessoa idosa

Com a pandemia de COVID-19, veio à tona a necessidade de proteger grupos considerados de risco, nos quais se incluem os idosos, que são mais suscetíveis às complicações do Sars-Cov-2 em razão das alterações naturais no sistema imunológico com o avançar da idade. Esse cenário levanta uma discussão importante a respeito do comportamento e da empatia dos mais jovem em relação aos idosos, uma vez que essa parcela tão frágil da população exige cuidados e atenção especial, que vão muito além do “ficar em casa”. Observa-se, no entanto, que nem sempre esses cuidados são tomados, revelando, pelo contrário, uma tendência das sociedades modernas, de modo geral, de maus-tratos à pessoa idosa.

O envelhecimento, histórica e culturalmente, sempre esteve associado à vida plena, a uma dádiva ou recompensa. Confúcio, filósofo da Antiga China, já falava da importância do indivíduo mais idoso nas famílias, cuja experiência e sabedoria deveriam ser valorizadas e reverenciadas. Já entre os japoneses, o idoso fazia parte de um grupo superior, cujo bem-estar deveria ser garantido por todos os membros da comunidade. Hoje, no entanto, a situação não é mais a mesma. Atualmente, até mesmo as sociedades orientais, não mais vêm seus idosos dessa forma, tendo sucumbido aos atos de violência contra os mesmos.

Estudos mostram que, dentre os indivíduos mais atingidos pela violência, destacam-se as crianças, as mulheres e os idosos. Isso se deve essencialmente à desvantagem desses grupos quando confrontados com adultos, principalmente do sexo masculino, sobretudo no que diz respeito à força física. O mais preocupante é que na maioria dos casos a violência é intrafamiliar, isto é, cometida por membros da própria família.

A violência contra o idoso é definida pela Organização Mundial de Saúde como “um ato único ou repetido, ou falta de ação apropriada, ocorrendo em qualquer relacionamento onde exista uma expectativa de confiança que cause danos ou sofrimento a uma pessoa idosa”. Nessa perspectiva, os abusos podem ser físicos, psicológicos, sexuais, financeiros ou até mesmo de negligência, como defende a pesquisadora Maria Menezes, cuja tese de doutorado se apresenta como um estudo etnográfico sobre a violência doméstica contra o idoso. Segundo a pesquisadora, a negligência é na verdade um tipo de violência muito mais abrangente e disseminado no Brasil, estando presente nas várias classes socioeconômicas, etnias e religiões, e deixam um grande número de indivíduos vulneráveis aos maus-tratos. Ela ainda afirma que as práticas de violência contra idosos, em geral, não chegam às autoridades, pois estão naturalizadas no ambiente familiar.

Essa situação desfavorável aos idosos no Brasil ainda pode se agravar devido às projeções demográficas atuais para o futuro. Estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam uma drástica queda nas taxas de natalidade nas últimas décadas, o que está diretamente relacionado ao fenômeno de envelhecimento da população. O declínio teve início na segunda metade dos anos 60 e a estimativa é de que, a partir de 2030, a população brasileira estará “envelhecida”, assemelhando-se às de países da Europa Ocidental, Rússia e Japão. Além disso, estima-se que o número de brasileiros acima de 65 anos deve quadruplicar até 2060.

O envelhecimento da sociedade brasileira impacta diretamente nas políticas públicas do país, ressaltando a importância do desenvolvimento de leis que atendam às necessidades e garantam os direitos dessa população que está se ampliando. Além disso, destaca-se a importância de campanhas de conscientização sobre a dignidade da pessoa idosa, a fim de erradicar a negligencia social e promover o respeito aos mais velhos.

Nessa perspectiva, em 2006, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa declarou o dia 15 de junho o Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. Desde então, a data é reafirmada através da realização de campanhas por todo o mundo, com o objetivo de criar uma consciência mundial, social e política, da existência da violência contra a pessoa idosa. 

Nesse sentido, reafirma-se o dever constitucional do Estado e da família em colaborar para a conquista de uma velhice digna, preferencialmente no âmbito familiar. Isso requer da sociedade, de um modo geral, uma mudança de perspectiva em relação ao idoso e sua importância no convívio social. É preciso proteger e cuidar da pessoa idosa, afinal, envelhecer faz parte do ciclo de vida de todos os seres humanos e, certamente, todos querem chegar lá com respeito e dignidade.

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