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Dia da Imigração Japonesa

Dia da Imigração Japonesa

A vinda dos imigrantes japoneses ao Brasil foi motivada pela necessidade do Brasil em receber mão de obra para atividades agrícolas e pelo alto índice demográfico do Japão, que levou o país a considerar que a emigração ajudaria a atenuar a crise social que se instalava no país. No Brasil, em 1907, foi publicada a Lei da Imigração e Colonização, indicando que os estados escolhessem a melhor forma de receber e acomodar os imigrantes que chegassem. No mesmo ano, Ryu Mizuno, presidente da Companhia Imperial de Emigração, fecha um acordo com o secretário da agricultura de São Paulo da época para iniciar a introdução de imigrantes japoneses no estado, em um período de 3 anos.


Kasato Maru: O primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses, de acordo com os registros oficiais.

O primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses, de acordo com os registros oficiais, foi o Kasato Maru. A viagem durou 52 dias, tendo início no porto de Kobe e terminou no Porto de Santos – SP, em 18 de junho de 1908. Ao todo, vieram 781 imigrantes. Esses imigrantes foram trabalhar nos cafezais do oeste paulista. Devido a esse acontecimento, no dia 18 de junho é comemorado o dia da imigração japonesa. Essa data foi instituída em 2005 pelo senado, no projeto de lei da Câmara (PLC 73/04).



Fonte: https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=288309

No dia 28 de junho de 1910, o navio Ryojun Maru aportou em Santos com um novo grupo de imigrantes japoneses. Com um total de 908 pessoas, os recém-chegados foram encaminhados para trabalharem também nas fazendas. É interessante salientar que os dois grupos, de 1908 e 1910, tiveram grandes dificuldades de se adaptar na terra com costumes tão diferentes. Assim, uma grande quantidade de imigrantes retornou ao Japão nesse período.

O crescimento da imigração para o Brasil foi ainda mais propício quando os Estados Unidos baniram a entrada de imigrantes japoneses por meio da United States Immigration Act, de 1924. Países como Austrália e Canadá também restringiram a entrada de imigrantes do Japão. Outros fatores que influenciaram o crescimento da imigração foram as propagandas divulgados pelo governo do Japão, que mostravam que o Brasil era um local para crescer financeiramente devido às boas condições de hospedagem e trabalho (propaganda na maioria das vezes falaciosas). Dessa maneira, o Brasil tornou-se um dos poucos países no mundo a aceitar imigrantes japoneses.

Após a Primeira Guerra Mundial, houve um aumento no fluxo de imigrantes japoneses no Brasil. Porém, com o nacionalista da Era Vargas, houve uma grande repressão aos imigrantes, com confisco dos bens, proibição de falar a língua materna, fechamento de nihongakus (escolas destinada para os descendentes japoneses), proibição de publicações em língua estrangeira, entre outros. Essa forte repressão só diminuiu após a Segunda Guerra Mundial.

Calcula-se que 2 milhões de nikkeis (termo usado para designar os japoneses e seus descendentes) vivam no Brasil, a maior população japonesa fora do Japão, estando 1,3 milhões em São Paulo. Assim, no país, São Paulo é o estado que mais tem descendentes e com a influência nipônica mais acentuada. Vários japoneses também se estabeleceram em cidades como Atibaia, Suzano e Lins; e na capital, o bairro da Liberdade tornou-se o “bairro japonês”. Diferentemente de outros locais no mundo, muitos japoneses constituíram família com brasileiros.

Ao longo do tempo, os descendentes japoneses adentraram na política, nos esportes, nas artes, na saúde, na educação e em outras esferas de conhecimento. De maneira semelhante, os brasileiros também desenvolveram um forte interesse pelos costumes, artes (sobretudo pela música e por mangá) e língua japonesa.

Em 2020, comemora-se 112 anos da imigração japonesa no Brasil. No decorrer da história, nipo-brasileiros contribuíram com o desenvolvimento do país e conquistaram a confiança do povo, fortalecendo as relações amistosas entre o Brasil e o Japão. Todos os anos, a Embaixada do Japão no Brasil, junto com a comunidade nikkei e outras chancelarias japonesas realizam eventos comemorativos para celebrar essa longa história de parceria.

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