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Letramento Digital e Ensino

Letramento Digital e Ensino

           As pesquisas sobre o letramento surgiram em meados dos anos 1980 em diferentes países e emergiram da necessidade de diferenciar as práticas sociais de leitura e escrita das práticas de ler e escrever ocasionadas pela aprendizagem do sistema escrito, ou seja, da alfabetização.

           No Brasil, o letramento teve a proposta de diferenciar e unificar os termos letramento e alfabetização (decodificação do código linguístico), o que também foi influenciado pelas discussões sobre leitura e de escrita por meio de conhecimento crítico (e conhecimento de mundo), um debate que foi fortalecido com a perspectiva social da leitura defendida por Paulo Freire.

           Até meados de 1990, a perspectiva abordagem nos estudos sobre letramento foi a cognitiva. Após esse período, vários pesquisadores da Linguística, por meio de uma perspectiva discursiva, buscaram conceituar o termo letramento para o ensino de Língua Portuguesa:

  • Angela Kleiman considerou o letramento como um conjunto de práticas sociais e “práticas e eventos relacionados com uso, função e impacto social da escrita”.
  • Leda Tfouni abordou o letramento como as implicações sociais que ocorrem com determinada sociedade após se tornar letrada e busca diferenciar alfabetização, de caráter individual, de letramento, que apresenta um caráter social.
  • Magda Soares expandiu o conceito ao afirmar que letramento é o estado ou a condição de quem exerce as práticas sociais de leitura e escrita e participam de eventos de letramento.

           Magda Soares também procurou abordar o termo letramentos, no plural. Isso porque existem uma variedade de textos cujas leitura, compreensão e escrita dependem de uma série de habilidades que estão inter-relacionadas a um contexto mais amplo. Assim, há modalidades diferentes de letramento.

           Com a revolução eletrônica, as relações entre autor-texto-leitor sofreram modificações. Para o texto, houve uma mudança para as formas de apresentação: modificaram-se os processos de produção, reprodução e circulação de textos na sociedade. Já o leitor tornou-se mais livre, não está mais à margem do texto, se torna capaz de agir no centro, no coração do texto, pois o computador permite montagens mais numerosas e acessíveis no texto do que em suportes impressos.

           Consequentemente, ocorreram mudanças nas maneiras de ler e escrever, ou novas situações de produção de leitura-autoria: ler e escrever no meio digital exigem estratégias diferentes da leitura e escrita de materiais impressos. É a partir desse contexto que o processo de ensino e aprendizagem deve baseado a fim de abarcar o texto eletrônico e suas características hipertextuais.

           Nesse contexto, considera-se que apenas o conhecimento do código escrito e o comprometimento com as decisões sociais não é suficiente para agir na era digital. As pessoas precisam ser letradas digitalmente, pois devem possuir diferentes habilidades para agir por meio de computadores ou smartphones conectados à Internet, atuando eficientemente no século XXI, aprendendo a criar e analisar as imagens, sons, os hipertextos, as informações.É imprescindível atentar para os diferentes modos de leitura e escrita presentes no meio digital e isso é possibilitado pelos letramentos digitais.

           Assim, os letramentos digitais são as habilidades individuais e sociais essenciais para criar,interpretar, conduzir e compartilhar sentido eficazmente em ambientes digitais. Temas como cyberbullying, fakenews, compartilhamento de informações, leitura e produção de gêneros digitais estão relacionados aos letramentos digitais e, como o principal objetivo da escola é educar as pessoas para que saibam agir no mundo, é imprescindível que os estudantes desenvolvam a capacidade de usar e interpretar, de forma adequada, os recursos digitais.

           Porém, é importante salientar que trabalhar com os letramentos digitais não significa isolar o letramento digital do letramento impresso, já queessas perspectivas não devem ser consideradas como dicotômicas, mas sim como complementares, tendo em vista que o desenvolvimento das duas possuem importância para a sociedade e, por esse motivo, ambas devem ser exploradas na escola.

           Por fim, reforça-se a ideia de que há uma relação de interdependência entre as duas concepções, pois o letramento impresso serve como alicerce para a introdução das práticas dos letramentos digitais: antes dos estudantes adentrarem na comunicação digital, devem ser capazes de ler e escrever, pois a maior parte da linguagem digital depende da linguagem escrita. Portanto, esses letramentos apresentam sua importância, têm seu lugar, efeito e função na sociedade e uma sala de aula de letramento para o futuro deve realizar a integração efetiva entre letramento impresso e o letramento digital.

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