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O novo Ensino Médio e os itinerários formativos

O novo Ensino Médio e os itinerários formativos

            Nas últimas décadas, uma série de mudanças sociais, econômicas e políticas resultaram na emergência da necessidade de se repensar o modo de fazer educação no Brasil. Novas tendências teóricas e metodologias pedagógicas inovadoras adentraram as escolas, evidenciando práticas arcaicas que não surtiam mais efeito no mundo contemporâneo. Além disso, estudos e pesquisas científicas revelaram uma série de dificuldade e problemas enfrentados, especialmente, pelos estudantes do Ensino Médio, e associados, principalmente, à falta de investimentos e à evasão escolar. Nesse contexto, o MEC propôs mudanças significativas nas Leis de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), por meio da Lei nº 13.415/2017, que culminou na publicação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e em uma consequente mudança na estrutura do Ensino Médio.

            A proposta denominada Novo Ensino Médio conta com a ampliação do tempo mínimo do estudante na escola de 800 horas para 1.000 horas anuais (até 2022), definição de uma nova organização curricular, mais flexível, e a oferta de diferentes possibilidades de escolha para os estudantes, por meio dos itinerários formativos, com foco nas áreas de conhecimento (Linguagens, Matemática, Natureza e Humanas) e na formação técnica e profissional, conforme estabelece a LDB (13.415/2017):

            Com essa nova proposta de organização do Ensino Médio, objetiva-se “garantir a oferta de educação de qualidade a todos os jovens brasileiros e de aproximar as escolas à realidade dos estudantes de hoje, considerando as novas demandas e complexidades do mundo do trabalho e da vida em sociedade” (BRASIL, 2018). Pretende-se, portanto, viabilizar efetivamente um diálogo entre a escola e a comunidade, a fim de que o ensino se adapte às necessidades dos adolescentes, preparando-os para viver em sociedade e enfrentar os desafios do mercado de trabalho. Para tanto, é preciso um sistema de ensino mais flexível, que proporcione a autonomia e o protagonismo dos estudantes dentro e fora do ambiente escolar.

            Entre as principais mudanças do Novo Ensino Médio está, além do aumento da carga horária dos estudantes e da adoção da BNCC como documento norteador, o cumprimento dos itinerários formativos flexíveis. Nesse sistema, a carga horária total passa a ser de 3.000 horas, das quais 1.800 serão usadas para aprendizagens comuns e obrigatórias, estabelecidas pela BNCC, através do modelo de organização por áreas do conhecimento, e 1.200 horas destinadas ao itinerário formativo.

Fonte: BNCC, 2017.

            Itinerários formativos são o caminho percorrido pelo estudante do Ensino Médio para conectar sua aprendizagem com seus interesses, anseios e aptidões, de modo a preparar-se (jovens do Ensino Médio, entre 15 e 17 anos) para o mundo do trabalho. Para isso, no primeiro ano do Ensino Médio, os estudantes terão a oportunidade de iniciar um itinerário formativo, construído a critério das escolas e de acordo com a realidade da comunidade local, por um conjunto de disciplinas, oficinas, projetos, núcleos de estudo, a fim de se aprofundarem em uma ou mais áreas de conhecimento, ou na formação técnica e profissional, como já ocorre em diversas instituições de ensino pelo país.É importante destacar que se as redes de ensino optarem por disponibilizar a formação técnica e profissional, ao final dos três anos do Ensino Médio os estudantes deverão receber certificados de conclusão da educação básica e de curso técnico ou profissionalidade realizados.

            O sistema de ensino por itinerários formativos promove a ampliação das aprendizagens, o desenvolvimento da autonomia e da capacidade de tomar decisões,colocando o estudante no centro do processo de ensino e aprendizagem, a fim de que, por meio de uma formação integral, eles possam planejar e executar Projetos de Vida alinhados aos seus interesses pessoais e à promoção de valores universais (ética, democracia, solidariedade, justiça social etc.).

            Nessa perspectiva, o estudante do Ensino Médio, deve pautar sua formação em cinco eixos estruturantes:investigação científica, processos criativos, mediação e intervenção sociocultural e empreendedorismo.Com essas habilidades, espera-se que o jovem possa a valiar seus interesses, conhecer seus potenciais e dar continuidade aos seus estudos, atuando como protagonista de sua própria história.

Saiba mais!

http://novoensinomedio.mec.gov.br/resources/downloads/pdf/DCEIF.pdf

http://novoensinomedio.mec.gov.br/#!/pagina-inicial

Paloma Lopes

Doutora em Letras pela UFPE, especialista em Inteligência Emocional e em Libras, é professora da Educação Básica e do Ensino Superior, escritora e palestrante. Confia no potencial da educação para o desenvolvimento intelectual e socioemocional do ser.

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