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A Aprendizagem Criativa como estratégia metodológica de ensino

A Aprendizagem Criativa como estratégia metodológica de ensino

           A cada dia aumenta a demanda do mercado de trabalho por pessoas criativas, com espírito proativo para analisar situações-problema e sugerir soluções inovadoras. Isso acontece devido a um fenômeno inerente ao século XXI: como diria o saudoso Zygmunt Bauman, vivenciamos uma modernidade líquida, na qual o pensamento rígido e inflexível não mais encontra tanta valorização. As transformações tecnológicas e sociais exigem dos cidadãos a capacidade de propor intervenções que aliem o desenvolvimento econômico ao sustentável. Na educação, não é diferente.

           Considerando que, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), as escolas devem preparar os alunos para o mercado de trabalho, as metodologias de ensino se adaptam cada vez mais aos requisitos profissionais contemporâneos. A segunda competência geral da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece que os estudantes precisam “exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própriadas ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas” (BRASIL, 2017, p. 09). A aprendizagem criativa responde brilhantemente a essa competência. Ela se baseia no que os especialistas convencionaram chamar de “4 Ps”:

Aprendizagem Criativa. Construindo uma educação… | by Microduino Brasil |  Microduino Brasil | Medium
Disponível em: https://medium.com/microduinobr/aprendizagem-criativa-3afbe2109985

           De acordo com Mitchel Resnick, professor de pesquisa em aprendizagem da Lego Papert, os “4Ps” da aprendizagem criativa “foram inspirados e estão estritamente alinhados à abordagem construcionista na educação, que enfatiza o valor da criação de projetos que sejam significativos para os alunos, de maneira divertida e em colaboração com colegas”. Nesse sentido, é possível perceber que tal abordagem promove um processo de ensino-aprendizagem mais próximo à realidade do educando, da sua comunidade e das questões sociais. Esse fator torna os conteúdos mais do que lições acadêmicas e empolga um público que não se conecta com aulas meramente expositivas.

            Diante do exposto, precisamos entender que a aprendizagem significativa não se efetiva em si e por si mesma. Para se materializar nas escolas, ela se alia a outras metodologias ativas, como o STEAM, o Ensino Híbrido e a Aprendizagem Baseada em Problemas (ou Projetos). Todas essas abordagens pedagógicas partem do princípio de que o aluno é o centro do processo educativo, de que o protagonismo estudantil necessita ser fomentado e de que a formação integral do sujeito implica o estímulo de habilidades criativas. Estratégias como o Design Thinking, o Storytelling e a Cultura Maker são recomendáveis para a efetivação desses princípios.

            Na escola onde trabalho, oriento uma equipe de cinco alunos em um programa chamado Ouse Criar, que consiste na construção de habilidades empreendedoras para alunos do ensino médio por meio “do fomento, sistematização e implementação de ações educacionais, tecnológicas e inovadoras que promovam a criação e melhoria contínua de produtos e/ou processos, como o surgimento de novos empreendimentos a partir de soluções de problemas contextualizados”. A intervenção proposta pela nossa equipe visa possibilitar a mobilidade urbana com efetividade, segurança, eficiência e equidade para a população de João Pessoa (PB). A partir disso, os alunos estruturaram um projeto a partir de ferramentas utilizadas por empreendedores, como o Canvas, o Kanban e o Pitch. Eles estão colocando a “mão na massa” para solucionar, mobilizando diversas áreas do conhecimento, um problema social real e local.

            Outras iniciativas interessantes no tocante à aprendizagem criativa entre adolescentes são apoiadas pelo prêmio Respostas para o amanhã, promovido pela Samsung. A professora Ayanda Ferreira, de uma escola estadual de Goiás, participou da competição inscrevendo o projeto que desenvolveu com seus alunos do ensino médio. Ao perceber a desmotivação das suas turmas, ela decidiu empreender uma nova abordagem em suas aulas. Quando a mãe de uma das alunas adoeceu por falta de saneamento básico, os jovens se uniram para solucionar aquele problema tão comum na comunidade em que viviam. Após pesquisas e testes, a turma chegou à conclusão de que o extrato da semente de moringa limpa a água. A solução sustentável não apenas resolveu a situação como também renovou o ânimo e a autoestima dos educandos.

              Às vezes, não é preciso ir tão longe para pôr em prática a aprendizagem criativa. Uma das maneiras de torná-la tangível é identificar necessidades da própria escola e incentivar os alunos a propor intervenções. A criação, pelos próprios estudantes, de espaços de convivência mais arborizados ou de salas de aula mais aconchegantes, por exemplo, também se caracteriza como estratégia de aprendizagem criativa. Executar essa abordagem inovadora, com certeza, garante um processo educativo significativo e a formação de uma geração promissora.

Douglas de Oliveira Domingos

Mestre em Linguística (UFPB) e graduado em Jornalismo (UFPB). É professor de Língua Portuguesa na SEECT-PB. Confia na linguagem como ferramenta de interpretação e transformação do mundo.

Saiba mais!

Dê uma chance aos Ps: Projetos, Parcerias, Paixão, Pensar brincando (MitchelResnick)https://drive.google.com/file/d/1CGuzOFMiyL7ftlb7hK5LND3Tz4lWGoYc/view?usp=sharing.

7 projetos de aprendizagem criativa para se inspirar e colocar a mão na massahttps://porvir.org/7-projetos-de-aprendizagem-criativa-para-se-inspirar-e-colocar-a-mao-na-massa/.

Respostas para o amanhã (Samsung)

https://respostasparaoamanha.com.br/.

Ouse Criar

https://paraiba.pb.gov.br/diretas/secretaria-da-educacao-e-da-ciencia-e-tecnologia/programas/ouse-criar.

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