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Como obter o maior proveito da Avaliação Diagnóstica

Como obter o maior proveito da Avaliação Diagnóstica

           Durante a pandemia pela Covid-19, tornou-se ainda mais evidente a inviabilidade de avaliar o desempenho dos estudantes apenas pelo nível cognitivo e intelectual. O ensino remoto tem nos ensinado a lidar de uma maneira particular com a aprendizagem e com as estratégias de avaliação. Sendo assim, entende-se que um processo avaliativo produtivo acontece quando utilizado como instrumento para o próprio aluno entender suas dificuldades e para orientar o trabalho do professor, aderindo à formação integral do ser – conforme orienta a BNCC (2018).

           Toda avaliação escolar é um mecanismo que visa à facilitação de integração curricular com o objeto principal de garantir a assimilação dos conteúdos ministrados em sala de aula e entender os pontos fortes e fracos dos alunos, tendo em vista o desenvolvimento das ideias, dos conceitos e aspirações deles. Lembre-se de que o foco da aprendizagem é o aluno!

           Avaliar é, ao mesmo tempo, mensurar, atribuir juízo de valor, dar feedback. Na escola, por muito tempo, avaliar tornou-se sinônimo de atribuir nota a uma prova, julgando o aprendizado de cada aluno em determinado ciclo. Neste material, vamos rever esse conceito para compreender melhor os objetivos da avaliação escolar, especialmente da avaliação diagnóstica.

           De acordo com a CNE/CEB nº 5 de 2011, a avaliação é um instrumento de contínua progressão dos estudantes. Por isso, é preciso organizar um processo avaliativo adequado às singularidades de seus educandos, possibilitando a eles recriar, refazer, criar para além do quantitativo, propondo o desenvolvimento da autonomia e do protagonismo do estudante, naturalmente ético, social, intelectual etc.

            Recentemente, em 2020, houve uma atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio (MEC/CNE/CEB – 2020), referente à situação de isolamento social e ao ensino remoto. Em seu Art. 7º, o documento propõe a cada instituição escolar a organização do processo de avaliação formativa e diagnóstica dos estudantes, considerando as especificidades da escola, dos professores e dos alunos.

            Embora existam três tipos de avalição escolar (diagnóstica, formativa e somativa), os documentos oficiais que visam a formação social dos estudantes indicam, sobretudo, a realização das avaliações diagnóstica e formativa. Vamos entender o porquê? 

           A avaliação diagnóstica é aquela que se realiza no início do curso e/ou dos ciclos, a fim de detectar os conhecimentos dos alunos e se estão aptos a progredir para a aprendizagem de novos conhecimentos, para que os professores possam entender se há necessidade de revisão ou de retomada.

           A avaliação formativa, por sua vez, é realizada no decorrer do ano letivo ou no decorrer de cada ciclo ou processo de ensino, a fim de identificar se o aluno está acompanhando os conteúdos e o ritmo da turma.

           A avaliação somativa, diferente das anteriores, têm objetivos de verificação de competências e habilidades, é classificatória, sendo realizada, predominantemente, ao final de períodos letivos (bimestres) e/ou no final do curso. Como o próprio nome indica, é uma avaliação que visa pontuar a capacidade intelectual dos educandos.

           Esses tipos de avaliações são excelentes estratégias de ensino, quando ocorrem simultaneamente durante o processo de ensino-aprendizagem. Isoladamente, funcionam apenas como pretexto para a atribuição de quoeficientes numéricos. Sabendo desses conceitos, vamos nos concentrar no tipo de avaliação diagnóstica, necessária para guiá-lo(a), professor (a), no seu planejamento. O processo de descoberta, a partir da aplicação dessa atividade, indica novas formulações de aprendizado para o aluno, visando compreender as necessidades dele e, se possível, as causas das dificuldades. Além disso, os dados indicarão:

  • o nível de conhecimento dos alunos;
  • as dificuldades de cada aluno;
  • aptidões (intelectuais) e comportamentos (apatia, distração, desmotivação);
  • o levantamento de pré-requisitos da(s) série(s) anterior(es) necessários para a evolução do aluno.

           Ao realizar uma avaliação diagnóstica entende-se que o (a) professor (a) não deve progredir nos conteúdos se boa parte dos alunos não tiver assimilado os assuntos anteriores. Por isso, esse tipo de avaliação é realizado no início do ao letivo, a fim de guiar o planejamento do (a) professor (a). Como estratégia de ensino, pode ser aplicada em outros períodos do ano, como forma de averiguar continuamente se as atividades estão produzindo o resultado esperado.

           A avaliação diagnóstica permite, além das detecções mencionadas, que alunos e professores redimensionem suas práticas, estratégias, meios e recursos de ensino-aprendizagem em direção a resultados cada vez mais satisfatórios, que superem o ensino conteudista e visem a aprendizagem efetiva e formativa dos nossos alunos.

            Existem vários instrumentos para avalição diagnóstica, entre eles destacamos:

  • Questionário: atividade com perguntas e respostas, objetivas e/ou subjetivas.
  • Seminário: realização e apresentação de trabalhos sobre temas previamente estabelecidos pelos professores.
  • Produção de texto: escrita planejada a partir de temas previamente estudados, mobilizando a consciência linguística;
  • Leitura e interpretação de texto: atividade voltada para habilidades que envolvam a capacidade de compreensão e transmissão de informações;
  • Cálculo: atividade voltada para as habilidades de resolver problemas numéricos e de lógica.

           A elaboração e aplicação desses tipos de atividades deve fazer parte do plano de ação com intervenção pedagógica, por meio de uma construção personalizada do conhecimento, baseando-se em práticas de ensino ativas, tais como:

  • conhecimentos prévios e as experiências dos estudantes;
  • conteúdo a ser ensinado e sua natureza;
  • variação de estratégias e o levantamento de múltiplas hipóteses didáticas.

           A partir desse diagnóstico, é possível realizar um planejamento e um plano de aula adequado e contextual.

           Conhecendo as funções e objetivos da avaliação diagnóstica, o próximo passo é a elaboração. Para isso, é preciso adequar-se à sua realidade de ensino e às características dos discentes, ter clareza e objetivos específicos a ser alcançados posteriormente à aplicação, definir o instrumento a ser utilizado, o público-alvo, o formato, a data, os conteúdos etc.

Procedimentos necessários

           É importante preparar os alunos para a realização da atividade e orientá-los para que respondam de maneira natural, sem se preocuparem com pontuação ou número de acertos.  A avaliação não deve ser vista sempre como decisiva para o estudante, nesse caso, ela faz parte de um processo de ensino-aprendizagem que considera as particularidades da turma, de maneira coletiva, e de cada aluno, no âmbito individual. Trata-se, portanto, de uma atividade integrativa, inclusiva, baseada num processo democrático e emancipatório.

           Sugerimos que no momento em que os alunos estejam respondendo à avaliação diagnóstica cada professor (a) possa observá-los, tendo em vista que se trata de uma das fases do processo. Se aplicadas virtualmente, como atividade remota, você, professor (a), pode seguir este procedimento: solicite que todos alunos entrem na sala aula virtual com a câmera ligada e o microfone desligado durante a realização da atividade; explique como devem proceder durante a resolução das questões e, se considerar pertinente, diga que estará disponível no chat para solucionar alguma dúvida/ problema que tiveram; transmita, via chat, o link de acesso e solicite a resolução.

           Enquanto os alunos estiverem resolvendo a avalição, observe-os, a fim de perceber nas expressões faciais e no tempo de resolução dados relevantes para o diagnóstico individual deles.

Análise dos resultados

Realizada a avaliação diagnóstica, o professor deve corrigi-la e analisar os resultados da seguinte forma, identificando:

  • quais alunos responderam à atividade sem compromisso – identificados pelo tempo de resolução e/ou expressões faciais durante a resolução;
  • quais alunos demonstraram interesse e dedicação – identificados pelas expressões faciais e também pelo tempo de resolução;
  • em quais conteúdos os alunos tiveram maior dificuldade – margem geral de acertos e erros por conteúdo;
  • qual tipo de comando do enunciado os alunos conseguiram resolver com mais facilidade e em qual tipo apresentaram dificuldade.

           Para facilitar a leitura dos resultados, sugerimos que preencha a tabela abaixo, no Word ou Excel, conforme os descritores da Matriz de Referência de sua área/componente curricular:

Tabela 1: Modelo tabela para Avaliação Diagnóstica

Modelo tabela para Avaliação Diagnóstica

           De posse dos resultados, cabe a(o) professora(a) realizar seu planejamento personalizado, com o intuito de estimular o relacionamento entre os alunos, realizando jogos e atividades dinâmicas, criando situações que auxiliem os alunos com mais dificuldade e potencializado os que conquistaram bons resultados, criar rotinas que reforcem a criatividade e o pensamento positivo; se necessário, modificar o ambiente da sala de aula ou a estrutura das aulas on-line, favorecendo a aprendizagem e o estímulo à participação.

           Por exemplo, você identificou que boa parte da turma errou as mesmas questões, referentes a um mesmo conteúdo, agora precisa refletir sobre o que ocasionou aquele problema e como solucioná-lo antes de iniciar um novo ciclo. Por meio da interação com os alunos é possível reconhecer a motivação, se um (a) professor (a) da série anterior ou você mesmo não conseguiu ministrar o conteúdo como gostaria ou qualquer outro motivo. Em seguida, a ação deve ser de reparo, reordenando as estratégias de ensino com atividades dinâmicas, que levem os alunos a aprendizagem. Desencadeia-se desse processo uma avaliação formativa, realizada por meio de dinâmicas e jogos, voltada à verdadeira formação dos alunos.

           A avaliação diagnóstica é parte importante no processo de ensino e de aprendizagem, não é “encheção de linguiça”, como alguém poderia imaginar. Lembre-se, o objetivo é criar um ambiente amistoso, de condições, para que os alunos adquiram as competências e habilidades necessárias para o aprendizado. Com essa avaliação também é assim: o diagnóstico é importante, mas de nada adianta se a ele não se sucederem ações concretas.

OBRAS CONSULTADAS

HOPFMANN, Jussara. Avaliação Mediadora: uma prática em construção da pré-escola à Universidade. P. Alegre. Educação e Realidade. 1993.

LUCHESI, C. Verificação ou Avaliação: o que pratica a escola? A construção do projeto de ensino e avaliação, nº 8, São Paulo FDE. 1990

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